31 de agosto de 2016

NA MEMÓRIA DO RÁDIO – Início das transmissões da Rádio Nacional da Amazônia completa 39 anos

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A Rádio Nacional da Amazônia também é um importante canal de divulgação da música brasileira. Na foto, entre a dupla Chico Reis e Paraná estão os radialistas Luíza Inês (em pé); Márcia Ferreira e Maurício Fares (década de 1980). 
A Rádio Nacional da Amazônia iniciou as suas transmissões no dia 1º de setembro de 1977 com a intenção de levar à população amazônica o som de uma rádio genuinamente brasileira. Na época, apenas sinais de rádios de Cuba, União Soviética e de alguns outros países chegavam à região.

Para reverter esse cenário e impedir que a população continuasse ouvindo o som das rádios dos países comunistas, que fugiam à censura, o governo militar dentro da chamada Doutrina de Segurança Nacional decide criar um sistema de transmissão em ondas curtas direcionado a região amazônica, através da Rádio Nacional de Brasília.

Dessa inciativa nasceu o Núcleo de Programação para a Amazônia (Nupa) dirigido por Rita Furtado, que futuramente se tornaria deputada federal. A equipe composta por 30 pessoas ficou responsável pela elaboração de uma programação especial para Amazônia Legal que seria transmitida diariamente, das 16 às 21 horas.

Em 1º de setembro de 1977 após a solenidade de abertura da Semana da Pátria, o presidente Ernesto Geisel grava em seu gabinete, mensagem veiculada pela Rádio Nacional de Brasília marcando o início das transmissões em onda curta para Amazônia.

Na mensagem ele destaca algumas medidas que se sucederam desde o início da ditadura militar em 1964, com o objetivo de realizar uma maior vinculação da Região Amazônica com o restante do país e proporcionar condições para acelerar a participação dessa Região no desenvolvimento do Brasil. Na sequência fala do objetivo das transmissões.


Hoje um novo e importante projeto é inaugurado: a Radiobrás inicia sua transmissão para a Amazônia, através da onda curta da Rádio Nacional de Brasília. Esta realização do Ministério das Comunicações é mais um forte elo na união que tanto desejamos e, por isso, rejubilo-me por sua concretização.
A partir de agora, os compatriotas que aí habitam terão condições de ouvir, pelo rádio, a nossa língua, a nossa música, de estar em dia com o que acontece no país e, assim, de se sentirem mais próximos de seus irmãos brasileiros e mais integrados com os altos interesses e anseios nacionais.
Em tão relevante oportunidade que coincide com o início das comemorações da Semana da Pátria, saúdo a todos os brasileiros da Amazônia, reafirmando-lhes minha confiança no valor de nosso comum esforço presente e no porvir venturoso que conjuntamente estamos construindo (Ernesto Geisel, 01 de setembro 1977). 

Estava no ar à programação da Rádio Nacional de Brasília para Amazônia na freqüência de 11.780 KHz, com potência de 250 KW. A Radiobrás havia suspendido suas transmissões para o exterior e mudou a direção da antena para a região Norte. A primeira locutora a falar pela Rádio Nacional da Amazônia foi Marcia Ferreira na apresentação do programa Alfabeto Musical.

Entre os primeiros programas levado ao ar também estava o Viajando pelo Brasil, que transmitia informações sobre a economia, riquezas e história de regiões, estados e municípios. Em 1978, Márcia Ferreira apresentava o Cantigas de Toda Gente, que divulgava a música folclórica e regional com explicações do significado das canções, origem e importância cultural.

Acompanhe a edição do Na Memória do Rádio em homenagem aos 39 anos da Rádio Nacional da Amazônia


Entre os destaques desta edição do Na Memória do Rádio está a peça de radioteatro Vivendo o Sonho , levada ao ar pela Rádio Nacional da Amazônia, em 31 de agosto de 2013, nas comemorações dos 36 anos da emissora.

24 de agosto de 2016

NA MEMÓRIA DO RÁDIO - Aleijadinho: homenagem ao maior escultor do Brasil colonial

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Carregamento da Cruz  (escultura em madeira), Santuário de Bom Jesus de Matosinhos (Congonhas-MG)


Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, nasceu em 29 de agosto de 1738 e morreu em 18 de novembro de 1814. Filho de uma escrava com um mestre de carpintaria, ainda criança aprendeu a esculpir e entalhar.

Especializou-se na escultura de imagens sacras e tornou-se, ainda, grande projetista de igrejas. Aleijadinho sofria de uma doença degenerativa, que lhe tirou parte do movimento das mãos e dos pés - daí o apelido. Mas a enfermidade não o impediu de continuar o trabalho e suas obras são vistas em várias cidades mineiras.

Na primeira metade do século XX, poetas modernistas redescobriram a obra e a história de vida de Aleijadinho e dedicaram vários textos a ele. Em julho desse ano, o programa Cultura é Você da Rádio Nacional de Brasília AM aproveitou o intercâmbio entre essas duas artes - escultura e poesia - para homenagear o maior escultor do Brasil colonial. 

Pouco se sabe com certeza sobre sua biografia, que permanece até hoje envolta em cerrado véu de lenda e controvérsia. A principal fonte documental sobre o Aleijadinho é uma nota biográfica escrita cerca de quarenta anos depois de sua morte.

A trajetória dele é reconstituída principalmente através das obras que deixou, embora mesmo neste âmbito sua contribuição seja controversa, já que a atribuição da autoria da maior parte das mais de quatrocentas criações que hoje existem associadas ao seu nome foi feita sem qualquer comprovação documental, baseando-se apenas em critérios de semelhança estilística com peças documentadas.
Acompanhe o  Na Memória do Rádio em homenagem ao escultor Aleijadinho

17 de agosto de 2016

NA MEMÓRIA DO RÁDIO – Juscelino Kubitschek: 40 anos de saudades do presidente Bossa Nova

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Presidente Juscelino Kubitschek

Juscelino Kubitschek de Oliveira faleceu aos 73 anos em um acidente de carro na rodovia Presidente Dutra em 22 de agosto de 1976.  Mas duas semanas antes uma noticia da sua morte correu o país.

Acompanhe a edição do Na Memória do Rádio em homenagem ao presidente 
Juscelino Kubitschek

Na época, levantou-se a suspeita de que a morte de Juscelino Kubitschek havia sido um atentado. Em 1996 o corpo de JK foi exumado, para se esclarecer a causa de sua morte, levantando-se novamente a polêmica sobre o caso. O laudo oficial da exumação novamente concluiu que foi apenas um acidente de trânsito, sendo tal laudo contestado pelo secretário particular de JK, Serafim Jardim, no livro "JK, onde está à verdade".

Em 2001, a Câmara dos Deputados instituiu uma Comissão Externa - requerida pelo marido da neta de JK, ex-deputado Paulo Octávio - para averiguar as suspeitas de assassinato do ex-presidente, mas novamente não foram encontrados resquícios de assassinato.

Em 2012, a Comissão Nacional da Verdade que analisa os crimes políticos ocorridos entre 1946 e 1988, decidiu analisar o inquérito sobre a morte de Juscelino.  Em 9 de dezembro de 2013, a Comissão Municipal da Verdade Vladimir Herzog, da cidade de São Paulo, anunciou que o ex-presidente na realidade foi assassinado. Em 22 de abril de 2014, a Comissão Nacional da Verdade, concluiu que a morte de JK foi acidental.

Nesta edição do Na Memória do Rádio você ouve trechos da radionovela Brasília: o coração do Brasil levada ao ar em abril de 2010, pela Rádio Nacional de Brasília.

10 de agosto de 2016

NA MEMÓRIA DO RÁDIO - Gonçalves Dias: a trajetória do grande expoente do romantismo brasileiro

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Gonçalves Dias, poeta, autor do clássico indianista I-Juca-Pirama
Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823, no município de Caxias (Ma). Morreu aos 41 anos em um naufrágio do navio Ville Bologna, próximo à região do baixo de Atins, na baía de Cumã, município de Guimarães (Ma). Advogado de formação, é mais conhecido como poeta e etnógrafo, sendo relevante também para o teatro brasileiro, tendo escrito quatro peças. Teve também atuação importante como jornalista. Nesta área, encontra-se colaboração da sua autoria na Revista Contemporânea de Portugal e Brasil (1859-1865). 

Um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como "indianismo", é famoso por ter escrito o poema"Canção do Exílio" — um dos poemas mais conhecidos da literatura brasileira —, o poema épico "I-Juca-Pirama" e muitos outros poemas nacionalistas e patrióticos que viriam a dar-lhe o título de poeta nacional do Brasil. 

Juca-Pirama é um dos mais famosos poemas Indianistas do Romantismo Brasileiro. Considerado por muitos a obra-prima do poeta maranhense, o poema possui 484 versos. Em seus versos têm-se o relato da história de um guerreiro tupi sobrevivente e fugitivo da destruição, que cai aprisionado por uma tribo antropófaga dos Timbiras e que deve ser sacrificado conforme o rito. Antes dos sacrifícios o chefe Timbira propõe que àquele que vai ser morto deve cantar suas façanhas para que os bravos Timbiras tenham maior gosto em sacrificá-lo, pois as forças serão transferidas aos que o comem; e assim inicia o seu canto:

Meu canto de morte,
guerreiros, ouvi:
Sou filho das selvas,
nas selvas cresci,
Guerreiros, descendo
Da tribo Tupi.
A cena que se segue é um pedido de clemência em virtude de ser o último sobrevivente da sua tribo e ter ainda a responsabilidade de cuidar do velho pai, velho e cego. Depois do seu canto os Timbiras não querem mais sacrificá-lo e então o jovem parte triste com à recusa, e quando chega para junto do velho pai, este percebe que o filho está com cheiro da tinta com que este está ungido para efeitos de sacrifício.

Depois da descoberta, ambos travam uma conversa porque o velho pai interessado na bravura do filho quer saber como fugiu à massa. Quando descobre que o filho não terminou o ritual nem tampouco matou os seus agressores decide que devem voltar à tribo para que o ritual seja finalizado. Ao chegarem na tribo Timbira o velho Tupi descobre que o filho em verdade havia chorado em presença da morte e então o pai amaldiçoa o filho.

Tu choraste em presença da morte?
Na presença de estranhos choraste?
Não descende o covarde do forte:
Pois choraste, meu filho não és. (370-374).

O pai pragueja uma sequencia de desgraças para o filho, que manchara a honra e o nome na raça Tupi. O filho, não podendo suportar o ódio do pai, se enche de valentia e num súbito ato, declara ataque a toda a tribo Timbira. O cego reconhece o brado do filho, e ouvindo os barulhos da que se formou entendeu que o filho lutava com bravura. A confusão acabou quando o chefe Timbira gritou:
"— Basta, guerreiro ilustre! Assaz lutaste, 
 — E para o sacrifício é mister forças. — " (451-452).
Ouvindo isso, o velho Tupi caiu em choro copioso. Choro de alegria. O caso virou história contada nas noites por um velho Timbira.

Nesta edição do Na Memória do Rádio você ouve trechos do programa Prosa e Verso, da Rádio Senado FM, que em agosto de 2004 visitou a obra de Gonçalves Dias. 

Acompanhe edição do Na Memória do Rádio sobre o poeta indianista, Gonçalves Dias

3 de agosto de 2016

NA MEMÓRIA DO RÁDIO - Carmem Miranda: a despedida da explosão brasileira

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Carmem Miranda e sua beleza que encantaram o mundo inteiro (1940). Foto:WikiCommons.
Ela nasceu em Portugal e se tornou brasileira, se chamava Maria do Carmo, mas entrou para a história como Carmen Miranda. A Pequena Notável é a artista brasileira mais famosa no exterior até hoje. Carmen Miranda se inventou e criou um mito tão forte que se confunde com a própria identidade cultural do Brasil. 

Acompanhe a edição do Na Memória do Rádio em homenagem a Carmem Miranda. 

Nascida no dia 9 de fevereiro de 1909, em Marco de Canaveses, em Portugal, ela tinha pouco menos de um ano quando veio com a família para o Rio de Janeiro. No dia 5 de agosto de 1955 milhares de fãs choraram a morte da cantora Carmen Miranda. Ela morreu aos 46 anos, em sua casa em Los Angeles, nos EUA, vítima de um ataque cardíaco fulminante.

Nesta edição do Na Memória do Rádio vamos ouvir: o programete História Hoje, levado ao ar pela Rádio Nacional de Brasília em 05 de agosto de 2010, na passagem dos 55 anos da morte de Carmem Miranda, em Hollywood; edição extraordinária do Repórter Esso, de 6 de agosto de 1955, anunciando a morte da artista; Gravação de César Ladeira, na despedida de Carmem Miranda, pela Rádio Mayrink Veiga.

O corpo de Carmem Miranda só chegou no Brasil na manhã de 12 de agosto, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Na despedida, sessenta mil pessoas compareceram ao seu velório realizado no saguão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. O cortejo fúnebre até o Cemitério São João Batista foi acompanhado por cerca de meio milhão de pessoas que cantavam esporadicamente, em surdina, "Taí", um de seus maiores sucessos.
 

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