30 de novembro de 2012

Luiz Gonzaga em Seis Atos “I – Nascimento e Primeira Sanfona”

0 comentários
 Gonzagão em cartão autografado em 1949
     Luiz Gonzaga nasceu na Fazenda Caiçara, cerca de 20 km da cidade de Exu, no estado de Pernambuco, em 13 de dezembro de 1912. Filho de dona Anna Batista de Jesus e seu Januário José dos Santos, lavrador e sanfoneiro conhecido na região.
      Na hora de batizar a mãe queria Luiz, em homenagem ao santo do dia do seu nascimento, o pai queria Januário junto. O padre de Exu teve que entrar no meio para decidir a pendenga, como os pais não entravam em acordo fez uma sugestão: “Já que é Luiz, que tal completar o nome do santo? Fica Luiz Gonzaga, e como nasceu no mês de nascimento de Jesus, fica Luiz Gonzaga do Nascimento”. De boa vontade os pais concordaram e o menino foi batizado.
    Desde criança, Gonzaga se interessou pela sanfona de oito baixos do pai, a quem ajudava tocando zabumba e cantando em festas religiosas e forrós. Tocava mesmo contra a vontade da mãe, dona Anna, que achava essa história de música um caminho sem futuro. Mas Januário bateu o pé e passou a levar o menino aos bailes. A criança animava a festa com seu fole, revezando com o pai, até pegar no sono.
       História que Luiz Gonzaga não se cansava de contar, lembrava de tudo, até mesmo do dia do seu nascimento. Como nesse trecho de uma longa entrevista concedida por Gonzagão ao jornalista Amorim Filho, no programa Quebradas do Sertão, na Rádio Bandeirantes.
Rádio Bandeirantes - Quebradas do Sertão (Amorim Filho entrevista Luiz Gonzaga)
     Nenhum artista autorretratou sua história, em músicas, como Luiz Gonzaga. O episódio das apresentações junto com o pai apareceu anos mais tarde na música “Forró no Escuro” na qual ele conta que o sanfoneiro cochilou, mas a festa seguiu em frente. 
Luiz Gonzaga - Forró no Escuro (1957)

29 de novembro de 2012

Jornalista Joelmir Beting morre aos 75 anos

0 comentários



"Nunca fiz um gol de placa, mas fiz a placa do gol"
(Joelmir Beting)
 "Metade da humanidade passa fome. A outra metade faz regime"
 (Joelmir Beting)

Jornalista tinha mais de 55 anos de carreira

      Nascido em 21 de dezembro de 1936 na cidade de Tambaú, interior paulista, Joelmir Beting exercia atualmente  a função de editor e comentarista econômico do Jornal da Band, apresentado por Ricardo Boechat, participava do Jornal Gente e do Jornal Três Tempos, da Rádio Bandeirantes, além do programa esportivo Beting&Beting, com seu filho Mauro e seu sobrinho Erich, no canal fechado BandSports. Fazia também comentários para o Primeiro Jornal e o Jornal da Noite, na Band, e para o canal de notícias BandNews. Joelmir também apresentava o Canal Livre.
         Em Tambaú (SP), Beting chegou a trabalhar como boia-fria. Em 1957 começou a cursar a faculdade de sociologia na Universidade de São Paulo (USP) e no mesmo ano iniciou sua carreira jornalística na Rádio Jovem Pan e nos jornais O Esporte e Diário Popular, como repórter esportivo.
      Marcou seu nome na história ao inspirar a criação da expressão "gol de placa", após uma partida entre Santos e Fluminense, no Maracanã (Rio de Janeiro), no dia 5 de março de 1961. A quatro minutos do final do jogo, vencido pelos santistas por 3 a 1, Pelé dominou a bola no campo de defesa e driblou seis adversários antes de mandar para o gol. Joelmir trabalhava no jornal O Esporte e ficou tão impressionado que mandou fazer uma placa de bronze para colocar no saguão do estádio, com os dizeres: "neste estádio, Pelé marcou no dia 5 de março de 1961 o tento mais bonito da história do Maracanã".
    Foi contratado em 1966 pela Folha de S. Paulo para lançar a editoria de Automóveis, fruto da repercussão de sua tese do curso de Sociologia ("Adaptação da mão de obra nordestina na indústria automobilística de São Paulo"), que fora publicada pelo Diário Popular na íntegra. Dois anos depois lançou a editoria de Economia do mesmo jornal, lançando uma coluna diária a partir de 1970.  A coluna tornou-se célebre por desmistificar a economia numa época de inflação astronômica e reiteradas medidas desastradas do governo.
         Em março de 1970 estreou o programa Multiplicação do Dinheiro na TV Gazeta, foi o primeiro programa de Joelmir Beting na televisão e a primeira atração de sucesso da TV Gazeta.  No início de 1972 a atração transferiu-se para TV Record com o mesmo nome e também apresentação de Joelmir Beting.
         Em 1974 foi contratado pela Rede Bandeirantes, onde ficaria até a sua estreia na Globo. Na Band, ancorou o Jornal Bandeirantes, ao lado de Ferreira Martins, além de fazer comentários de economia e reportagens especiais
Na  Rádio Bandeirantes  fazia um comentário diário no programa O Trabuco, de Vicente Leporace. Com a morte de Leporace, em abril de 1978, juntou-se a José Paulo de Andrade e Salomão Ésper para apresentar o Jornal Gente, criado no dia seguinte ao acontecido. O trio voltaria a reunir-se em 2003, quando Joelmir foi novamente contratado pela Bandeirantes. Entre os anos 1980 e 1990 foi também comentarista das rádios Excelsior e CBN.
        Ficou conhecido do grande público na Rede Globo, onde permaneceu de agosto de 1985 a julho de 2003, no início do canal por assinatura Globonews, em 1996, foi um dos apresentadores do programa Espaço Aberto. Retornou à Bandeirantes, em março de 2004.
     Ele escreveu ainda dois livros: "Na prática a teoria é outra" e "Os juros subversivos".
         Joelmir morreu em 29 de novembro de 2012 em São Paulo, em decorrência de um AVC Hemorrágico, no Hospital Albert Einstein, após passar mais de um mês internado para tratar de doença autoimune. Tinha dois filhos, Gianfranco, publicitário e especialista em aviação, e Mauro, jornalista e comentarista esportivo da Rede Bandeirantes. Sua morte foi anunciada aos ouvintes da Rádio Bandeirantes pelo filho Mauro, durante a cobertura pós-jogo da partida entre São Paulo e Universidade Católica, pela Copa Sul-Americana.

Entrevista concedida por por Joelmir Beting
á Paulo Galvão no Sofá Bandeirantes de 30 de novembro de 2012. Ao final do bate-papo, Joelmir pede Serra da Boa Esperança, na interpretação de Althemar Dutra e conclui: "a partir desta conversa, agora sim, eu posso me aposentar". 
O jornal Primeira Hora da Rádio Bandeirantes, de 29 de novembro de 2012, apresentou a trajetória de Joelmir Beting.
Filho de Joelmir Beting, Mauro Beting leu carta emocionada logo depois de saber da morte do pai, no programa Terceiro Tempo (Rádio Bandeirantes), na madrugada de 29 de novembro de 2012.
 

Na Trilha do Rádio Design by Insight © 2009