30 de janeiro de 2012

Herivelto Martins – uma canção em tom maior

0 comentários
Nilo Chagas, Dalva de Oliveira e Herivelto Martins no Trio de Ouro
Herivelto Martins, Dalva de Oliveira, Dorival Caymmi e Nilo Chagas

   
   No dia 30 de janeiro de 1912, nasceu Herivelto de Oliveira Martins, na cidade seu pai fundou a Sociedade Dramática Dançante Carnavalesca Florescente de Barra do Piraí. As atividades artitisticas incentivaram Herivelto e os irmãos a criarem um grupo teatral. 
   Aos 9 anos de idade, compôs a paródia Quero Uma Mulher Bem Nua (Quiero una mujer desnuda) e o samba Nunca Mais, que não foi gravado.
   Aos 10 anos começou a aprender música na Sociedade Musical União dos Artistas, de Barra do Piraí. Aos 18 aos de idade após uma discurssão com o pai, Herivelto saiu de casa e foi morar no Rio de Janeiro, com o desejo de tentar uma carreira artistica.
   Em 1932, Herivelto Martins, em parceria com J.B. de Carvalho, conseguiu lançar, pela RCA Victor, sua composição Da Cor do Meu Violão. A marchinha fez grande sucesso no carnaval daquele ano, o que levou Herivelto a integrar o coro do Conjunto Tupi como ritmista. Ele inovou ao fazer breques durante as gravações, quando isso não era permitido, e por essa e outras iniciativas, Mister Evans, diretor geral da RCA Victor, o promoveu a diretor do coro.
   Em 1933, Herivelto teve mais duas músicas gravadas: O Terço do Zé Faustino, com Euclides Moreira, pelo Conjunto Tupi, e O Enterro da Filomena, pelo Conjunto RCA.
   Em uma época em que o samba ainda não havia descido o morro e ganhado a cidade, Herivelto criou várias músicas para homenagear a Estação Primeira de Mangueira, entre elas: Saudosa Mangueira e Lá em Mangueira.
  Em 1986, Herivelto Martins foi homenageado pela escola de samba Unidos da Ponte, com o enredo Tá na hora do samba, que fala mais alto, que fala primeiro, o homenageado participou do desfile.
   Em 1932, Herivelto Martins conheceu Francisco Sena, seu colega no Conjunto Tupi, e com ele começou a ensaiar algumas canções, entre as quais a música Preto e Branco. No ano seguinte, o Teatro Odeon estava em busca de um grupo que pudesse se apresentar nos intervalos das sessões. O Conjunto Tupi se apresentou e não foi aprovado. A convite de Vicente Marzulo, Herivelto e Francisco fizeram o teste, em dueto, chamando a atenção de todos. Foram contratados. o nome da Dupla, O Preto e O Branco, foi dado por Marzulo. Herivelto passou a compor para a dupla.
   Em 1935, no Cine Pátria, Herivelto conheceu Dalva de Oliveira e passaram a cantar em dueto. Iniciaram um namoro e, no ano seguinte, iniciaram uma convivência conjugal, oficializada em 1939 num ritual de umbanda, que gerou os filhos Pery Ribeiro e Ubiratan de Oliveira Martins. A União durou até 1947, quando as constantes brigas e traições da parte dele deram fim ao casamento.
   Em 1949, após a separação oficial do casal e o final da primeira formação do Trio de Ouro, Herivelto e Dalva iniciaram uma discussão, inclusive através das composições que ironicamente contribuíram para um grande duelo entre os compositores e intérpretes da época.
   Por causa da briga conjugal, que se tornou pública, houve uma racha no meio artístico. Ao lado de Herivelto, ficaram Lupicínio Rodrigues ("Vingança"), Nelson Cavaquinho ("Palhaço") e Wilson Batista ("Calúnia)". Com Dalva, Ataulfo Alves ("Errei, Sim"), Marino Pinto e Mário Rossi ("Abajur Lilás") e Heitor dos Prazeres ("Tudo Acabado"). Acaram todos fazendo sucesso e se divertindo por causa dos tabefes musicais trocados pelo casal. O Trio de Ouro seguiu com outras formações até terminar em 1957.
   O compositor passou a se apresentar em alguns festivais e a dirigir grupos de sambas. Em 1971 foi eleito presidente do Sindicato de Compositores do Rio de Janeiro, mas foi impedido pela ditadura militar de tomar posse, acusado de subversivo. 
   Em 1992, alguns meses antes de sua morte, foi lançada a biografia "Herivelto Martins: uma escola de samba" (Ensaio Editora), dos jornalistas Jonas Vieira e Natalício Norberto. 

Arquivos Sonoros: 

Acompanhe o programa Audição do Trio de Ouro veiculado pela Rádio Tupi do Rio de Janeiro, em 25 de junho de 1951, com narração de J. Silvestre, locução comercial de Arnaldo Nogueira, produção de Francisco Veiga. O Trio de Ouro em sua segunda fase era composto por Herivelto, Nilo Chagas e Noemi Cavalcante. Nesse programa exclusivo do grupo, na Rádio Tupi, as apresentações aconteciam ao vivo com o acompanhamento da orquestra Tupi e Carioca sob a regência do maestro Lauro Araújo. São apresentados os seguintes números musicais: Adeus priminha - Felicidade - Fiz a cama na varanda - Prenda minha - Toada gaúcha - Pot-pourri: O mar - É doce morrer no mar - Promessa de pescador- Pescaria - Lagoa do Abaeté e Marina - Dora - Vida vazia).  
  
No programa Eu sou assim, um retrato sem retoque de gente que a gente conhece, durante uma hora, o produtor Mário Morel entrevistava um nome importante no cenário nacional e tocava suas músicas preferidas, na Rádio MEC/AM. Na edição de 18 de setembro de 1991, o entrevistado foi Herivelto Martins. O compositor estava com 80 anos na época e contou um pouco da sua história e da sua arte. Entre as canções escolhidas pelo artista estão duas composições próprias: Isaura, na voz de João Gilberto, e Ave Maria no Morro, com o Trio de Ouro.
 
 
Dentro das comemorações dos 100 anos de Herivelto Martins, o programa Roda de Samba, da Rádio Nacional de Brasília FM, no dia 28 de janeiro de 2012 lembrou alguns dos mais importantes fatos que marcaram a história do cantor e compositor. Durante o programa são veiculadas músicas na voz de Herivelto Martins e algumas de suas composições interpretadas por outros artistas. O Roda de Samba é apresentado por Fátima de Mello, com a sonoplastia de Messias Mello e produção e edição de Eloíza Fernandes.

O Trabuco – um século de Vicente Leporace

2 comentários
 
O Trabuco, Vicente Leporace

   No dia 26 de janeiro de 1912, nasceu em São Tomás de Aquino, no interior de Minas Gerais, o “Trabuco” Vicente Leporace. Sessenta e seis anos depois o povo brasileiro perdia a voz que gritava pela causa popular nos microfones da Rádio Bandeirantes, Leporace faleceu em São Paulo no dia 16 de abril de 1978. Foi locutor, programador, discotecário, ator e apresentador de TV.
   Ainda na infância mudou com a família para a cidade de Franca no interior paulista. Já na adolescência participou da Revolução de 1932. Começou sua carreira artística em 1941, na rádio Clube Hertz de Franca, a convite de Blota Júnior. Passou pelas rádio Atlântica de Santos; Rádios Mayrink Veiga (RJ); Cruzeiro do Sul (SP); Record (SP) e Bandeirantes (SP).
   Na Rádio Record - PRB-9, de São Paulo, lançou em 1º de abril de 1951, o programa jornalístico "Jornal da Manhã", ele redigia e apresentava o programa. 
   Na TV Record - canal 7, nos anos 50, apresentou o programa "Gincana Kibon", junto com Clarice Amaral. O programa apresentado ao vivo divulgava apresentações de crianças que frequentavam escolinhas de Ballet, Conservatórios, etc. Em cada edição do programa era sorteado um aniversariante para comemorar a data com bolo gelado da Kibon.
   Também foi ator. Estreou no cinema em 1947 no filme "Luar do Sertão" e participou de muitos outros, como: “A Vida é uma Gargalhada (1950), "Sai da Frente” (1952), “É Proibido Beijar” (1954), "Carnaval em Lá Maior" (1955), "O gigante, a hora e a vez do cinegrafista" (1971).
   Em 1969 na TV Bandeirantes (Band), canal 13 de São Paulo, apresentou o jornal Titulares da Notícia, ao lado de Maurício Loureiro Gama, José Paulo de Andrade, Murilo Antunes Alves, Lourdes Rocha e outros. 

O Trabuco

   Em 1962 Vicente Leporace passou a integrar a equipe de radiojornalismo da Rádio Bandeirantes - PRH-9 de São Paulo, onde estreou o programa "O Trabuco", levado ao ar das 8h às 9h da manhã, no qual comentava as noticias publicada nos jornais do dia, com uma dose de irônia e inteligência. Suas críticas irônicas, acabarm lhe renderam processos em quase todas as intâncias da justiça.
   Nos anos 60, durante o regime militar teve dezena de seus programas requisitados pela sensura da época. Um desses programas foi ao ar em 31 de agosto de 1968, por não constar nos registro da época qual foi a critica que levou o programa ser requisitado, subtende-se que, por Leporace criticar todas as áreas do governo e governantes, o conjunto que compõe o programa levou a requisição.
Acompanhe a abertura do programa, de 31 de agosto de 1968, em que Vicente Leporace fazia comentários gerais. O som sofre algumas oscilações, em função do programa ter sido transmitido ao vivo direto da casa do radialista, na Zona Norte de São Paulo, de onde Leporace muitas vezes fazia suas transmissões.
   “O Trabuco” tornou-se um símbolo da defesa dos oprimidos. Criticava acontecimentos  políticos e sociais, todos temiam e respeitavam, o que dizia Leporace. O programa permaneceu por dezesseis anos no ar, até sabádo, 15 de abril de 1978, quando Leporace se despediu dos ouvintes prometendo voltar na segunda-feira, mas foi vitimado por um ataque cardiaco e faleceu no dia seguinte.
   No ultimo programa, logo na abertura, em uma especie de sentimento premonitório Leporace falou de hipertensão e de infarto do miocárdio e da possibilidades de alguns políticos infaratarem na segunda-feira seguinte com o anuncio de quem seriam os próximos governadores, mas quem foi vitimado por um ataque cardiaco fuminante foi o Leporace. 
 Abertura e trecho  da ultima edição de “O Trabuco”, levado ao ar em 15 de abril de 1978.
   Para ocupara o espaço deixado por Leporace na programação da Rádio Bandeirante, em 18 de abril de 1978, foi levado ao ar um programa criado as preças, o  “Jornal Gente”.
   Nessa época outro nome fazia sucesso na Rádio Bandeirante, o locutor esportivo, Fiori de Gigliotti.  Antecedendo as transmissões esportivas, com um jeito bem próprio em seu Cantinho da Saudade, Fiori recordava a trajetória de antigos ídolos, que depois de conhecerem a glória ficaram pobres e esquecidos.  No primeiro Cantinho da Saudade, após retornar da Inglaterra, ainda em abril de 1978, Fiori prestou homenagem a Vicente Leporace, que havia falecido uma semana antes.
Cantinho da Saudade – Homenagem de Fiori de Gigliotti à Vicente Leporace (Abril de 1978)

20 de janeiro de 2012

Elis Regina - 30 anos de saudade

0 comentários
Elis Regina, a Pimentinha da MPB
   Há 30 anos, no dia 19 de janeiro de 1982, a Música Popular Brasileira (MPB) perdia aquela que desafiava as notas altas com talento e foi uma estrela de máxima grandeza. Aos 36 anos, Elis Regina foi achada morta, trancada em seu quarto, onde tomara a derradeira dose de cocaína.
   Nascida em Porto Alegre, Elis Regina começou sua carreira aos 11 anos, em um programa de rádio para as crianças. Aos 16 lançou seu primeiro disco, mas foi na década de 60 que a cantora, de 1m53cm de altura, tornou-se a grande estrela como até hoje é lembrada, com uma presença de palco inconfundível: graças ao costume de mexer os braços e a emoção com que cantava, recebeu o apelido de Pimentinha.
   Em 1965, foi a grande revelação do festival da TV Excelsior em São Paulo, quando cantou Arrastão, música com a qual conquistou o Brasil e, no final da década, se lançou no exterior, conquistando o público europeu e tornando-se a primeira artista a se apresentar duas vezes no mesmo ano no Olympia, a mais antiga e famosa casa de espetáculos de Paris.
   Politicamente engajada, participou ativamente de movimentos contra à ditadura brasileira. Sua interpretação transformou a canção O Bêbado e a Equilibrista, de João Bosco e Aldir Blanc, em hino da volta do exílio.
   Com seu sucesso, Elis impulsionou a carreira de iniciantes como Fagner, Ivan Lins, Milton Nascimento e João Bosco. Na década de 70 e início de 80 se consolidou-se como a maior cantora do Brasil e causou polêmica – foi nessa época que ela disse a famosa frase “Neste País só duas cantam, a Gal (Costa) e eu”.
   A morte da cantora brasileira provocou um choque nacional, a notícia circulou pela imprensa escrita, pelo rádio e pela televisão. A Rádio Jovem Pan noticiou as causas e a comoção popular do público no velório da cantora.
   Trechos de gravações da cobertura feita pela Rádio Jovem Pan no dia seguinte a morte da cantora Elis Regina. As gravações foram reapresentadas no programa Rádio ao Vivo, no Som Memória do Rádio, com locução de José Luiz Menegatti. 
 

Na Trilha do Rádio Design by Insight © 2009