20 de dezembro de 2011

Há 31 anos o Brasil perdia a mais alta patente do rádio

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Almirante, a maior patente do Rádio


Henrique Foréis Domingues, mais conhecido como Almirante, nasceu no Rio de Janeiro em 19 de fevereiro de 1908. “A mais alta patente do rádio” faleceu em 22 de dezembro de 1980, também no Rio de Janeiro. Foi uma das figuras mais atuantes da música popular carioca, e um dos primórdios da radiodifusão no Brasil.
Cantor, compositor e radialista brasileiro, Almirante fez história. Iniciou sua carreira de radialista em 1938. Liderou numerosos programas de grande audiência. Passou pelas Rádio Nacional do Rio de Janeiro,Tupi, Clube, Globo, Record, entre tanta outras emissoras. Produziu, escreveu e dirigiu, em mais de 40 anos, quase uma centena de programas.
Dentre os programas produzidos por Henrique Foréis Domingues estão Curiosidades Musicais (1938), sob seu comando, foi o primeiro programa de rádio com montagem, no Brasil. Abandonando a carreira de cantor no inicio da década de 1940, passou a dedicar-se somente ao rádio, tendo sido responsável pelos seguintes programas: Caixa de Perguntas (1938), Programa de Reclamações (1939), Orquestra de Gaitas (1940), A Canção Antiga (1941), Tribunal de Melodias (1941), História do Rio pela Música (1942), História das Danças (1944), Campeonato Brasileiro de Calouros (1944), História de Orquestras e Músicos (1944), Aquarela do Brasil (1945), Anedotário de Profissões (1946) Carnaval Antigo (1946), Incrível Fantástico Extraordinário (1947), O Pessoal da Velha Guarda (1948), No Tempo de Noel Rosa (1951), Academia de Ritmos (1952), Recordações de Noel Rosa (1953), Corrija o Nosso Erro (1953), A Nova História do Rio pela Música (1955) e Recolhendo o Folclore (1955).

Curiosidades Musicais [1]


Sob o patrocínio de Eucalol, o sabonete do Brasil, o programa Curiosidades musicais estreou no dia 25 de abril de 1938 e, de imediato, tornou-se um enorme sucesso.
Até porque concedia ao ouvinte, pela primeira vez, a oportunidade de conhecer o ídolo, antes apenas uma voz no rádio ou no disco. O Curiosidades Musicais ia ao ar sempre às segundas-feiras, às 21 horas. A abertura musical do programa era, do ponto de vista artístico, um verdadeiro achado: uma grande orquestra executava os primeiros compassos da "Rhapsody in blue", de Gershwin, seguidos da primeira parte do batuque "Na Pavuna", de Homero Dornelles e do próprio Almirante.
Embalado pelo êxito de Curiosidades musicais, Almirante propôs à direção da Rádio Nacional um novo programa, bem mais ousado. Assim, no dia 5 de agosto de 1938, sob o patrocínio de By-so-do, o digestivo antiácido moderno, o antigo componente do Bando dos Tangarás deu início ao programa Caixa de perguntas, bem mais incrementado que o anterior, pois implicava na participação direta do auditório. E não só isso: oferecia prêmios de 5,10 e 30 mil réis, pagos na hora, aos acertadores. Almirante circulava entre as cadeiras do auditório, colhendo as respostas de microfone em punho, tal como faz, hoje, mais de sessenta anos depois, o animador Silvio Santos no programa Topa Tudo por dinheiro.
Caixa de perguntas manteve-se no ar até o início de 1942, quando Almirante trocou a Nacional pela Rádio Tupi.



Acompanhe a audição de Curiosidades Musicais veiculada em 20 de junho de 1938, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, com o tema Capoeiras da Bahia.


Incrível! Fantástico! Extraordinário!

Em 1947 Henrique Foréis Domingues, iniciou a série de programas radiofônicos de maior sucesso da história do rádio brasileiro: Incrível ! Fantástico ! Extraordinário!

O programa ficou no ar até 1958, e seduziu, pelas ondas da Rádio Tupi, milhões de brasileiros com relatos de casos sobrenaturais enviados por ouvintes do país inteiro, ou, como anunciava o comunicador, de casos verídicos de terror e assombração. Tinha de tudo - operação espiritual, morto cumprindo ameaça , milhar sinistra no jogo do bicho, violino do além, caminhão fantasma, entrevista fúnebre, fenômenos de levitação, agradecimento da noiva morta, urubu aziago e o escambau.

Inicialmente escrito por José Mauro e depois por Cesar de Barros Barreto, focalizando histórias fantásticas enviadas pelos ouvintes e narradas por Almirante com a ajuda do cast de rádio-teatro da Rádio Tupi do Rio de Janeiro. A série ficou famosa e projetou ainda mais o nome de Almirante no cenário radiofônico como um dos mais importantes criadores de programas de rádio. Segundo ele mesmo diz as histórias eram consideradas verídicas e na época causaram muita polêmica na imprensa e nos meios radiofônicos. Em cada programa Almirante narra 3 ou 4 casos cheios de suspense mantendo os ouvintes presos a narrativa.




Acompanhe uma edição do programa "Incrível, Fantástico, Extraordinário! Programa do dia 16.12.47 com as seguintes histórias: 1. O enterro misterioso, 2. O estranho homem que queria construir uma granja, 3. A santa cruz da encruzilhada assombrada, 4. O jogador de palavra.




[1] AGUIAR, Ronaldo Conde. Almanaque da Rádio Nacional. p. 21. Disponível em:  http://www.acervodanet.com.br/icontrole/images/produtos/38bf3492d8.pdf. Acesso em: 20 de dezembro de 2011.

Jingles e programas que marcam a passagem do Natal

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Um novo ano está prestes a começar, antes vem o Natal e a cada dezembro que passa ouvimos novos sons, músicas, programas de rádio que nos levam para um clima natalino e assim se multiplicam os pedidos de paz e harmonia. Há verdadeiros tesouros guardados nos acervos das emissoras, no baú da saudade.
São canções, poemas, jingles, vozes que marcam as nossas lembranças e perduram no imaginário coletivo. Nesta semana natalina vamos reviver grandes momentos sonoros de Natal.

Toada intitulada de “Cartão de Natal”, composta por  Zé Dantas e Luiz Gonzaga, gravada em 1954 por Isis de Oliveira e Luiz Gonzaga.
Jingle gravado em 2009 pelo Rádio SulAmerica Trânsito, de São Paulo, dentro das comemorações natalinas. Na gravação buzinas tocam músicas de Natal e a "turminha do banco de trás" dá o recado.
Mensagem de fim de ano gravada por Cid Moreira e Oliveira Neto para a  prefeitura de Janiópolis/PR. 
Spot veiculado pela Rádio Nacional da Amazônia, há mais de uma década, nas  comemorações de fim de ano.
 
Em dezembro de 1986 a Rádio Bandeirantes, de São Paulo, levou ao ar um programa especial de natal com Nanci Filho. Na ocasião o também locutor Muibo Cury interpretou o texto "Presente de Natá" de Silvio de Toledo. 



Jingle criado em 1960 pelo paulistano Caetano Zamma para  Varig e gravada originalmente por Clélia Simone.

Jingle gravado para Casas Pernambucanas no Natal de 1967.

FELIZ NATAL! SEJA BEM VINDO 2012.



1 de dezembro de 2011

A ultima entrevista de Monteiro Lobato

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Monteiro Lobato, o gênio da literatura brasileira
No dia 02 de julho de 1948, ás 16 horas, o escritor Monteiro Lobato recebeu o repórter Murilo Antunes Alves no seu apartamento da Rua Barão de Itapetininga, em São Paulo, para uma entrevista que foi veiculada no dia seguinte ao meio dia, pela Rádio Record. Lobato morreria 36 horas depois, na madrugada do dia 4, vítima de um derrame.
Em sua ultima entrevista, ou como define o repórter Murilo Antunes, no bate-papo descontraído, Lobato falou de tudo : sobre o rádio, do petróleo, dos estudantes, da pamonha, da içá, sobre suborno, da crise de confiança generalizada, entre outros assuntos. Recusou-se a falar de política, assunto que o autor não se sentia mais recomendado a falar de pois de ter sido preso.
Quando questionado sobre o que um jovem deve fazer para ser um grande escritor, Lobato deixa a dica: “Crescer a aparecer. Essa é uma condição indispensável. Antes que esse jovem cresça e apareça, ele não poderá fazer nada. Crescendo, ele alcançará a maturidade. Alcançando a maturidade, ele dará tudo de si para reunir todas as qualidades latentes que ele possua. E, se de fato ele tem qualidade, esse jovem aparecerá. O aparecimento de um jovem no mundo das letras é uma coisa que depende exclusivamente das qualidades naturais desse jovem. Se ele tem qualidades, uma hora ele aparecerá e vencerá. Se ele não tiver qualidades boas, ele fracassará com muita justiça. É isso o que pensa o velho Lobato com sua longa experiência acumulada”, apontou Lobato.
Narizinho Arrebitado é apontada por Lobato como a sua criação literária preferida e por um motivo inusitado. “De todas as minhas obras, a que mais me agrada é a que dá mais dinheiro. É a que me dá maior lucro. Revendo lá as minhas contas, eu vejo que é Narizinho. Narizinho Arrebitado, que já rendeu duas séries de edições. Já vendi mais de 100 mil exemplares e, portanto, essa é a querida de meu coração. Se eu dissesse qualquer coisa diferente, seria mentira e hipocrisia”, explicou.
O escritor termina a entrevista falando da sua relação com o público infantil, para quem acredita que deveria ter se dedicado mais. “São inúmeras as crianças que me visitam. Eu me considero, cada uma delas um prêmio, um sujeito muito premiado. De maneira que eu sou um sujeito muito premiado e um sujeito que se acostumou a ser muito premiado numa vida... Se voltar outra vez ao mundo ele quer que continue assim. De maneira que eu acho que queria viver de novo a minha vida, a vida que eu vivi. Escrever coisas mais variadas, de mais interesse para as crianças. E mais: por que eu acho que as crianças me condenam em uma coisa, que eu escrevi pouco para elas e poderia ter escrito muito mais. E eu penso que perdi tempo escrevendo para gente grande, que é uma coisa que não vale a pena, finalizou.
Dois dias depois, o gênio da literatura infantil, com 66 anos virou “gás inteligente” – modo como o próprio escritor definia a morte. Sob forte comoção nacional, seu corpo foi velado na Biblioteca Municipal de São Paulo e o sepultamento aconteceu no Cemitério da Consolação. 

Ouça a ultima entrevista concedida por Monteiro Lobato ao repórter Murilo Antunes Alves, da Rádio Record, em  02 de julho de 1948.
 

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