28 de agosto de 2010

Os 69 anos do Repórter Esso, a testemunha ocular da história

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    Os relógios marcavam 12h45min de 28 de agosto de 1941 quanado a voz de Romeu Fernandez anunciou o ataque de aviões da Alemanha à Normandia, durante a 2ª Guerra Mundial. Com essa notícia tinha inicio a história do mais marcante noticiário da história do rádio brasileiro, o Repórter Esso.

    Na época, o Repórter Esso já era transmitido por dezena de emissoras do continente americano, constituindo-se na mais ampla rede radiofônica mundial alimentada pela United Press Associations (UPA). Antes de sua estréia, o que havia no rádio brasileiro era a mera leitura de notícias dos jornais impressos, o que acabou sendo apelidado de Gillette Press. Os locutores apenas liam, ao microfone, informações velhas, que já haviam sido publicadas. 

    Apoiado pelo presidente Getúlio Vargas e sob a orientação do Departamento de Imprensa e Propaganda, o DIP, o programa foi um dos primeiros sintomas da globalização das comunicaçõaes. Em plena II Guerra Mundial, a criação do informativo quecobria quase todo o território nacional e ia ao ar de segunda á sábado às 18h, 12h55, 19h55 e 22h55 e aos domingos com duas edições diárias – sem contar as edições extras, que dependiam de informações urgentes do front direto da Europa. 

    Com uma redação objetiva e sintética o noticiário chegava a dar 15 assuntos nos seus 5 minutos de duração. Quando estreou na Rádio Nacional, o programa não tinha um locutor exclusivo, de 1941 a 1944 revezaram na sua apresentação, Rubens Amaral, Aurélio de Andrade, Celso Guimarães, Reinaldo Costa e Saint Clair Lopes.  

    Em 1944 surge aquele que seria o locutor exclusivo do Repórter Esso, Heron Domingues. Profissional exigente, ele dava atenção às leituras de cada detalhe da notícia – como a pronúncia correta de nomes e palavras estrangeiras, o ritmo das frases para valorizar a informação, e a interpretação do texto para conseguir atrair o ouvinte que se acostumou e aprendeu a confiar no estilo de locução de Heron que passou a ser imitado em todo o País. Em tom alarmista, o radialista foi o primeiro a noticiar vários fatos históricos nos 33 anos de carreira: o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima - (1945): o suicídio de Getúlio Vargas - (1954), a morte da cantora Carmen Miranda - 1955; a renúncia do presidente da República Jânio Quadros, entre outros.  
    
    Com destaque para as noticias internacionais o noticiário fez parte da chamada política de boa vizinhança do governo Roosevelt, com o objetivo de engajar a América Latina na luta contra o nazi-fascismo e dar a versão dos EUA para a guerra. O noticioso era patrocinado pela empresa, Esso Brasileira de Petróleo e já existia nos Estados Unidos desde de 1935 e a partir dali se estendeu para 15 países, em cidades como Nova York (EUA), Buenos Aires (Argentina), Santiago (Chile), Lima (Peru), Havana (Cuba), entre outras. 

    O programa era produzido no escritório de uma agência estrangeira de Publicidade e Propaganda, sediada no Rio de Janeiro, a partir de informações distribuídas pela agência internacional de notícias UPI (United Press International). Minutos antes do programa entrar no ar, um estafeta, cruzava a Avenida Rio Branco até a Praça Mauá e entregava o noticiário, no 22 andar do edifício “A Noite”, na Rádio Nacional do Rio de Janeiro. 
    
    No ar por 27 anos interruptos o programa chegava à casa dos brasileiros pelas frequências da Rádio Nacional do Rio de Janeiro e à Rádio Record de São Paulo. Em julho de 1942 o programa passou a ser irradiado por outras emissoras como a Rádio Inconfidência (Belo Horizonte), Farroupilha (Porto Alegre) e Clube Pernambuco (Recife).  
    
    O Repórter Esso se especializou em divulgar principalmente notícias ligadas ao modo de vida americana da época, conhecida como American way of life e que determinava o que era ou não importante se noticiar naquele momento histórico. Os informes traziam ainda aos ouvintes a evolução da guerra e a participaçao dos Estados Unidos, além das guerras, o programa radiofônico dava bastante ênfase às notícias de autoridades, notáveis, estrelas e astros de cinema e feitos científicos norte-americanos. O Repórter Esso não informava notícias da Europa, da Ásia e da África se não houvesse interesses norte-americanos envolvidos.  

    Apesar da evolução técnica que o Reporter Esso – até hoje parâmetro das principais sintéses noticiosas do País – trouxe para o rádiojornalismo brasileiro, uma suspeita recai sobre o noticioso: a informação divulgada não era apenas notícia, constituindo-se em propaganda político-ideológica, produzindo e construindo sentido e com alvo certo: o governo e determinados segmentos da sociedade mundial. (KLOCKNER, 2008, p. 24) 

    Alcançando seu objetivo o noticiário se consagrou e em 1945, quando os japoneses estavam praticamente para se render, o que representava o fim da II Guerra. Heron Domingues, locutor do noticiário na época, determinado a noticiar o fim do conflito em primeira mão, simplesmente se mudou para o prédio da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Passou dias acampado na redação aguardando o furo jornalístico.

    No dia 15 de agosto o Heron saiu de seu posto para comer em um restaurante próximo. Resultado, o fim da guerra foi noticiado em primeira mão por outro locutor, Décio Luís da Rádio Tupi. Domingues sobe da noticia após ouvir fogos de artifício no restaurante onde comia, chamou o garçom que lhe teria dito: “Ué, o senhor não está sabendo? A guerra acabou, mas ninguém acreditou, a gente só vai acreditar quando der no Repórter Esso. 

    O locutor correu para a Rádio Nacional e em sucessivas edições extraordinária deu a notícia: “terminou a guerra, terminou a guerra, terminou a guerra...”. Tamanha era a credibilidade do noticiário, que um jornal da época chegou a publicar: “A guerra só acabou depois que o Repórter Esso noticiou”.  

    Consagrado o noticiário mudou de freqüência e passou a ser vinculado pela Rádio Globo do Rio de Janeiro até 31 de dezembro de 1968. 

    Na última edição, a partir das 20:25 da noite, o radialista Guilherme de Sousa fez a identificação da emissora e dando a hora certa, antes de anunciar: "Alô, alô, Repórter Esso! Alô!" Ao som das tradicionais trombetas, o locutor Roberto Figueiredo entrou no ar, noticiando sobre as festividades do ano novo (1969); o pronunciamento do presidente Costa e Silva sobre o momento nacional e a instituição do AI-5, além do mesmo assinar decretos sobre o setor financeiro; a condenação de Israel por parte das Nações Unidas pelo atentado contra o Líbano; a Missa de Ano Novo realizada pelo Papa Paulo VI; a previsão do tempo nas principais cidades do país; e o destacou as principais notícias dadas pelo Repórter Esso em 27 anos de atividade. 

    Durante a leitura desta última, Roberto Figueiredo emocionado começou a chorar, chegando a um ponto em que o locutor reserva Plácido Ribeiro, que estava no estúdio na hora do noticiário, seguiu a leitura. Roberto tentou se recompor e, aos prantos, encerrou o último Repórter Esso, desejando uma boa noite e um feliz ano novo aos ouvintes.

    Acompanhe entrevista, que o locutor Marcos Aurélio fez com Roberto Figuereido no programa "Quintal da Globo", em 24 de agosto de 1982. E recorde a ultima edição do Reporter Esso.






23 de agosto de 2010

Eleições: A Renúncia de Jânio Quadros

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    Em 25 de agosto de 1961, o Brasil enfrenta mais uma crise política. Jânio Quadros renuncia a presidência depois de apenas quatro meses de governo. 

    Jânio tinha um estilo inconfundível, despenteado, gestos teatrais, português carregado. Em três de outubro de 1960 foi eleito pela UDN, com 48% dos votos, a maior votação ocorrida no país até aquela data.

    Na campanha Jânio conquistou o seu eleitorado prometendo combater a corrupção e varrer toda a sujeira da administração pública. Seu símbolo era uma vassoura. 

    Era considerado um conservador e declaradamente anticomunista. Adotou uma política externa inovadora, combateu a inflação com austeridade, criou as primeiras reservas indígenas e os primeiros parques ecológicos do país. Mas também proibiu o biquíni, as brigas de galo e o lança perfume. 

    O então governador da Guanabara, Carlos Lacerda decidiu liderar uma campanha contra Jânio. Em 24 de agosto, Lacerda denunciou em cadeia nacional de rádio e TV, que um golpe de estado estava sendo planejado no Palácio do Planalto, e afirmou que o ministro da justiça, o tinha convidado a participar do golpe. 

    No dia 25, Jânio Quadros anuncia a renuncia, o Congresso nacional, onde o presidente não tinha boa base de sustentação aceita imediatamente. Ele deixa uma carta renuncia e culpa a pressão de forças terríveis. 

    Aos 74 anos, Jânio confessa ao neto que renunciou por que tinha certeza de que o povo, os militares e os governadores o levaria de volta ao poder e admitiu pela primeira vez que a renuncia foi o maior fracasso político da história republicana do país e o maior erro que cometeu. O depoimento está no livro Jânio Quadros – Memorial a História do Brasil. 

    Jingle da campanha de Jânio Quadros pela UDN, em 1960, à presidência do Brasil, na qual foi eleito com 48% dos votos.




    O mais tradicional noticiário do rádio brasileiro no século XX, o Repórter Esso da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, anunciou a renuncia de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961.
 


    A Rádio Bandeirante de São Paulo, também noticiou a morte de Jânio Quadros em 25 de agosto de 1961.
 


    Em 25 de agosto de 1961, o presidente do Senado, Auro Soares de Moura Andrade, convoca sessão extraordinária no Congresso Nacional, que recebera trazida pelo Ministro da Justiça, Oscar Pedroso, carta renuncia de Janio da Silva Quadros à presidência da república. Auro de Moura Andrade encaminha a posse do presidente da Câmara dos Deputados Ranieri Mazilli à Presidência da República, visto que o vice-presidente João Goulart estava em viagem oficial a China.


Eleições: os 56 anos da morte de Getúlio Vargas

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    O presidente Getulio Vargas, um das personagens mais polêmica da história política brasileira, saiu da vida e entrou para história, quando atirou contra o próprio peito em 24 de agosto de 1954.

    Vargas havia retomada a presidência do Brasil em janeiro de 1951 ao derrotar nas urnas seu principal adversário nas eleições, o brigadeiro Eduardo Gomes, da UDN com 48,7% dos votos. 

 De volta ao Palácio do Catete, Getulio faz um governo nacionalista e difícil, o bombardeio da oposição será implacável. O governador do Rio Carlos Lacerda não dará um dia de trégua e o rádio será o grande campo de batalha.  

    O ponto alto do seu governo é a campanha “O Petróleo é nosso”, que mobiliza multidões e resulta na criação da Petrobras, os conflitos com as empresas multinacionais são constantes e a aproximações com os trabalhadores é crescente. 

   Foi no governo Vargas que houve o desenvolvimento da siderurgia e da mineração e que foi criado o Ministério da Saúde. No carnaval de 54 era sucesso.... “Se eu fosse Getulio com Nelson Gonçalves”.

  Em 1953 João Goulart expoente do Partido Trabalhista assume o ministério do trabalho e dar um aumento de 100% para o salário mínimo. A medida não agradou todo mundo e João Goulart acaba sendo exonerado do cargo de ministro do trabalho.

    É o clima de radicalização que está se ampliando e estoura em 05 de agosto de 1954, quando Carlos Lacerda, sofer um atentado na Rua Toneleros, em Copacabana. No atentado, perdeu a vida o Major Aviador Rubem Florentino Vaz, que acompanhava o diretor da Tribuna da Imprensa.  

    A oposição reage ao atentado com vigor. Quatro dias depois, o deputado da UDN, Afonso Arinos, exige a renúncia do presidente Getúlio Vargas em famoso discurso em que afirma que esta é a única saída digna para aquele momento.  

    A crise do Governo de Getúlio começou antes do atentado, desde a constituição na Câmara dos Deputados de uma CPI para investigar financiamentos concedidos pelo Banco do Brasil ao jornal Última Hora, de Samuel Wainer. 
    
    Ao financiar o jornal de Wainer, Getúlio comprou uma briga contra outros órgãos da imprensa. Lacerda abriu campanha contra o Governo com o seu jornal "Tribuna da Imprensa", contando com o apoio de O Globo e dos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Na CPI, a Oposição conseguiu criar um clima de mar de lama do Governo Vargas. 

    Para apurar o atentado, é instalado um Inquérito Policial-Militar. Como esse IPM funcionava na Base Aérea do Galeão e pelas liberdades que tomava, levou o episódio a ficar conhecido como a "República do Galeão". 

  Uma semana após o atentado, soldados da Aeronáutica prendem o autor do disparo que matou o major Vaz e feriu no pé Carlos Lacerda. A policia atribui o atentado a Alcino João do Nascimento e o seu auxiliar Climério Euribes de Almeida membro da segurança pessoal do presidente. 

    Gregório Fortunato chefe da de Getúlio é acusado de ser o mandante do atentado.  

    A crise política fica insustentável, em 22 de agosto o brigadeiro do Clube da Aeronáutica dirigem nota ao presidente da República pedindo sua renúncia. E em 24 de agosto de 1954 Getúlio Vargas, presidente do Brasil suicida com um tiro no coração. 

  Acompanhe a montagem feita com duas edições do quadro “História Hoje”, levadas ao ar em 05 e 24 de agosto de 2009, no rádiojornal “Repórter Brasil”, pela Rádio Nacional. Na montagem são apresentados os fatos que resultaram no suicídio de Vargas. O áudio conta com gravações do programa “Repórter Esso”, da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, anunciando o atentado da Rua Toneleros e a morte de Vargas, além do ataque de Carlos Lacerda feitas a Vargas pela Rádio Globo, pouco antes do suicídio do então presidente. Locução: José Carlos de Andrade.
 

Rádio Globo SP - Você Acredita?

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Quadro de rádio teatro que ia ao ar pela Rádio Globo São Paulo, na década de 1990. Levado ao ar nas madrugadas no programa de Samuel Gonçalves e reprisado à tarde no programa do Kaká Siqueira. O quadro contava histórias de suspense, discos voadores e milagres, instigando a imaginação dos ouvintes. Produção e direção de Amélia Rocha, narração de Henrique Régis e sonoplastia de Onofre Favotto. Elenco: Geraldo Cunha, Ivan Santos, Irene Camargo e Marly Bortoleto.
Rádio Globo SP - Você Acredita? (junho 1996)

 

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