28 de maio de 2010

O Humor de Millôr Fernandes

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Nasceu Milton Viola Fernandes, em 16 de agosto de 1923, mas somente registrado oficialmente no dia 27 de maio de 1924, tendo sido registrado, graças a uma caligrafia duvidosa, como Millôr, o que veio a saber adolescente. Aos dez anos de idade vendeu o primeiro desenho para a publicação O Jornal do Rio de Janeiro. Recebeu dez mil réis por ele. Em 1938 começou a trabalhar como repaginador, factótum e contínuo no semanário O Cruzeiro. No mesmo ano ganhou um concurso de contos na revista A Cigarra (sob o pseudônimo de "Notlim"). Assumiu a direção da publicação algum tempo depois, onde também publicou a seção "Poste Escrito", agora assinada por "Vão Gogo".

Em 1941 voltou a colaborar com a revista O Cruzeiro, continuando a assinar como "Vão Gogo" na coluna "Pif-Paf". A partir daí passou a conciliar as profissões de escritor, tradutor (autodidata) e autor de teatro.
Já em 1956 dividiu a primeira colocação na Exposição Internacional do Museu da Caricatura de Buenos Aires com o desenhista norte-americano Saul Steinberg. Em 1957, ganhou uma exposição individual de suas obras no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.
Dispensou o pseudônimo "Vão Gogo" em 1962, passando a assinar "Millôr" em seus textos n'O Cruzeiro. Deixou a revista no ano seguinte, por conta da polêmica causada com a publicação de A Verdadeira História do Paraíso, considerada ofensiva pela Igreja Católica.
Em 1964 passou a colaborar com o jornal português Diário Popular. Em 1968 começou a trabalhar na revista Veja, e em 1969 tornou-se um dos fundadores do jornal O Pasquim.
Nos anos seguintes escreveu peças de teatro, textos de humor e poesia, além de voltar a expor no Museu de Arte Moderna do Rio. Traduziu, do inglês e do francês, várias obras, principalmente peças de teatro, entre estas, clássicos de Sófocles, Shakespeare, Molière, Brecht e Tennessee Williams.
Depois de colaborar com os principais jornais brasileiros, retornou à Veja em setembro de 2004, deixando a revista em 2009 devido a um desentendimento acerca da digitalização de seus antigos textos, publicados sem autorização no acervo on-line da revista.
O programa Autores e Livros, da Rádio Senado, que foi ao ar em setembro de 2007, apresentou amostra do humor de Millor. No programa a jornalista e escritora Margarida Patriota levou ao ar alguns textos do autor, tais como, "Autobiografia De Mim Mesmo À Maneira De Mim Próprio", "O Destino A Maneira dos Coreanos", "Composições Infantis". Todos os textos estão na forma de radioteatro. Ouça!

17 de maio de 2010

Edificio Balança Mas Não Cai

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 Paulo Gracindo e Brandão Filho eram os Primo Rico e o Primo Pobre
O humorístico Balança Mas Não Cai que surgiu na Rádio Nacional, em substituição ao PRK-30 (quando este se transferiu para a Rádio Tupi) em 1950, escrito por Max Nunes e Haroldo Barbosa ficou no ar até 1967. 

O programa fazia tanto sucesso que ia ao ar dois dias na semana: na sexta-feira às 20:35 , ao vivo; aos sábados, gravação do programa do dia anterior, antes do Programa César Alencar. Trouxe muitas inovações: os quadros eram isolados, sem nenhuma ligação entre eles, a não ser o fato de que se passavam no mesmo prédio, o Balança, mas não cai. 

O programa, enfim, era uma crônica do cotidiano de um edifício, e entre os seus personagens que marcaram época estão os Primo Rico e Primo Pobre (interpretados por Paulo Gracindo e Brandão Filho, respectivamente) e o Anão Zezinho (interpretado pelo ator Wellington Botelho). Apesar de ser um programa de características eminentemente cariocas, tornou-se um sucesso nacional. 
Locutores: Reinaldo Costa, Lucia Helena e Jorge Cury.
Narrador: Afrânio Rodrigues
Produção: Max Nunes e Paulo Gracindo 
Intercalavam na participava desse programa quase todo o casting de radioatores da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, destacando-se Ema D'Ávila, Floriano Faissal, Germano, Osvaldo Elias, Apolo Correia, Lúcio Mauro (Fernandinho), Sônia Mamede (Ofélia) e vários outros.


Do rádio, o programa Balança Mas Não Cai foi para TV. Estreou na  Rede Globo em 16 de setembro de 1968 e ficou no ar até dezembro de 1971. Inicialmente, era apresentado ao vivo e tinha como apresentador Augusto César Vanucci. Em 1972, o humorístico passou a ser apresentado na TV Tupi, e só retornaria para a Globo em 1982, com apresentação de Paulo Silvino. No ano seguinte, o programa foi cancelado.

Ouça o quadro Primo Rico e o Primo Pobre levado ao ar pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, no dia 07 de setembro de 1952.

12 de maio de 2010

Jamelão

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"Pensava que seria sempre operário"
Jamelão
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Jamelão, nome artístico de José Bispo Clementino dos Santos, nascido no Rio de Janeiro em 12 de maio de 1913 e falecido 14 de junho de 2008. Foi um cantor brasileiro, tradicional intérprete dos sambas-enredo da escola de samba Mangueira. Nasceu no bairro de São Cristóvão e passou a maior parte da juventude no Engenho Novo, para onde se mudou com seus pais. Lá, começou a trabalhar, para ajudar no sustento da família - seu pai havia se separado de sua mãe. Levado por um amigo músico, conheceu a Estação Primeira de Mangueira e se apaixonou pela escola de samba.
Ganhou o apelido de Jamelão na época em que se apresentava em gafieiras da capital fluminense. Começou ainda jovem, tocando tamborim na bateria da Mangueira e depois se tornou um dos principais intérpretes da escola.
Passou para o cavaquinho e depois conseguiu trabalhos no rádio e em boates. Foi "corista" do cantor Francisco Alves e, numa noite, assumiu o lugar dele para cantar uma música de Herivelto Martins.
A consagração veio como cantor de samba. Sua primeira gravadora foi a Odeon. Depois, trabalhou para a Companhia Brasileira de Discos. Entre seus sucessos, estão "Fechei a Porta" (Sebastião Motta/ Ferreira dos Santos), "Leviana" (Zé Kéti), "Folha Morta" (Ary Barroso), "Não Põe a Mão" (P.S. Mutt/ A. Canegal/ B. Moreira), "Matriz ou Filial" (Lúcio Cardim), "Exaltação à Mangueira" (Enéas Brites/ Aluisio da Costa), "Eu Agora Sou Feliz" (com Mestre Gato), "O Samba É Bom Assim" (Norival Reis/ Helio Nascimento) e "Quem Samba Fica" (com Tião Motorista).
De 1949 até 2006, Jamelão foi intérprete de samba-enredo na Mangueira, sendo voz principal a partir de 1952, quando sucedeu Xangô da Mangueira. Em janeiro de 2001, recebeu a medalha da Ordem do Mérito Cultural, entregue pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.
Diabético e hipertenso, Jamelão teve problemas pulmonares e, desde 2006, sofreu dois derrames. Afastado da Mangueira, declarou em entrevista: "Não sei quando volto, mas não estou triste."
Morreu às 4hs do dia 14 de junho de 2008, aos 95 anos, na Casa de Saúde Pinheiro Machado, em sua cidade natal, por falência múltipla dos órgãos. O enterro foi no Cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro.
Ouça a cantora Alcione no Programa Ponto Final da Rádio Mirante com o jornalista Roberto Fernandes, falando da perda do sambista Jamelão em 15 de junho de 2008.
Ouça especial de José Luiz Menegatti sobre esse ícone da música no quadro Som Memória do Rádio, no programa Rádio ao Vivo pela Rádio Jovem Pan que foi ao ar em abril de 2010.

4 de maio de 2010

Inaugurada Rádio Globo FM 89,3

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A Rádio Globo Rio, tradicional em seu 122o AM, passou a transmitir em FM na frequência 89,3 MHz, a primeira do dial, nesta terça-feira, 04 de maio de 2010. A frequência 89, 3 pertencia a Nossa Rádio e agora compõe a rede de rádios da Globo que passa a contar com (34 emissoras).
A Nossa Rádio, emissora de programação evangélica que operou em 89.3 FM durante anos, continuará presente no Rio de Janeiro através da antiga Rádio Relógio, estação que opera no mercado de rádio AM da capital fluminense (na frequência 580 AM). (tudoradio.com)
Criada em 1944, durante a II Guerra Mundial pelas mãos de Roberto Marinho, a Rádio Globo Rio teve a frequência 118o AM até 1976 quando passou para o 1200 AM, essa frequência será mantida, mas passa a contar com as ondas em FM que realizará transmissão do AM simultaneamente.
A programação da emissora passara por algumas modificações. O programa Quintal da Globo terá uma única edição, aos domingo às 22h com novas atrações. No seu lugar, das 20h às 22h, estréia nesta terça-feira, 4 o programa "Vale-Tudo na Globo" sob o comando do radialista Tino Junior. Domingo dia 09, estréia o programa Emoções na Globo, às 23h, uma hora dedicada ao rei Roberto Carlos, sobre o comando de Beto Brito.
Ouça o Globo No Ar, especial sobre a inauguração da Rádio Globo AM, que foi ao ar às 00h do dia 04 de maio de 2010. Baixe o áudio aqui!
Acompanha a abertura do programa Planeta Rei com Beto Brito que levou o ouvinte à uma viagem aos momentos marcantes da história da emissora, no dia 04 de maio de 2010 na estréia da FM 89,3. Baixe o áudio aqui!
Ouça a nova vinheta da emissora! Baixe audio aqui!

1 de maio de 2010

Dia do Trabalho e Getulio Vargas

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Até o início da Era Vargas (1930-1945) certos tipos de agremiação dos trabalhadores fabris eram bastante comuns, embora não constituísse um grupo político muito forte, dado a pouca industrialização do país. Esta movimentação operária tinha se caracterizado em um primeiro momento por possuir influências do anarquismo e mais tarde do comunismo, mas com a chegada de Getúlio Vargas ao poder, ela foi gradativamente dissolvida e os trabalhadores urbanos passaram a ser influenciados pelo que ficou conhecido como trabalhismo.
Até então, o Dia do Trabalhador era considerado por aqueles movimentos anteriores (anarquistas e comunistas) como um momento de protesto e crítica às estruturas sócio-econômicas do país. A propaganda trabalhista de Vargas, sutilmente, transforma um dia destinado a celebrar o trabalhador no Dia do Trabalhador. Tal mudança, aparentemente superficial, alterou profundamente as atividades realizadas pelos trabalhadores a cada ano, neste dia. Até então marcado por piquetes e passeatas, o Dia do Trabalhador passou a ser comemorado com festas populares, desfiles e celebrações similares. Atualmente, esta característica foi assimilada até mesmo pelo movimento sindical: tradicionalmente a Força Sindical (uma organização que congrega sindicatos de diversas áreas, ligada a partidos como o PDT) realiza grandes shows com nomes da música popular e sorteios de casa própria.
Aponta-se que o caráter massificador do Dia do Trabalhador, no Brasil, se expressa especialmente pelo costume que os governos têm de anunciar neste dia o aumento anual do salário mínimo. Foi no governo Vargas que os principais benefícios dados aos trabalhadores foram instituídos, exemplo disso é o salário mínimo, que passou a valer a partir de 1º de maio de 1940, devendo suprir as necessidades básicas de uma família (moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer). Em 1º de maio de 1941 foi criada a Justiça do Trabalho, destinada a resolver questões judiciais relacionadas, especificamente, as relações de trabalho e aos direitos dos trabalhadores. A seguir, veja um vídeo onde Vargas faz um discurso para comemorar a data em 1951.
Durante todos os anos que Getulio Vargas passou no poder ele realizava seus tradicionais dircursos do Primeiro de Maio.
Discurso de Getúlio Vargas começava sempre com estas palavras: TRABALHADORES DO BRASIL!
Em meio a todos os seus discursos usava-se as palavras chaves como parte do contexto, como as descritas abaixo:
“Como sabeis, em nosso país, o trabalhador, principalmente o trabalhador rural, vive abandonado, percebendo uma remuneração inferior às suas necessidades. No momento em que se providencia para que todos os trabalhadores brasileiros tenham casa barata, isentados dos impostos de transmissão, torna-se necessário, ao mesmo tempo, que, pelo trabalho, se lhes garanta a casa, a subsistência, o vestuário, a educação dos filhos.”
Trecho do discurso do presidente Getulio Vargas, em 1º de maio de 1940, no Estádio do Vasco.(Se o play não estiver visível, baixe o áudio aqui!)
Discurso do presidente Getúlio Vargas em São Januário em 1º de maio de 1951. (Se o play não estiver visível, baixe o áudio aqui!)

Dorival Caymmi

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Dorival Caymmi nasceu em Salvador, BA, em 30 de Abril de 1914.
Tranqüilidade seria uma palavra perfeita para descrevermos esse grande contador da vida dos pescadores, muitas vezes trágicas, mas contada por ele de forma suave, pura, simples.
Cantou e contou a paisagem baiana como ninguém em seu jogo diferente de ritmos. E através de músicas como O Que é Que a Baiana Tem, A Preta do Acarajé, Você já foi a Bahia? - fez de Carmem Miranda uma verdadeira baiana.
Sua adoração pelo mar e pela natureza, a caba por colocar o homem em sua real posição - uma parte integrante dela - sem domínio, sem superioridade, sem controle.
Foi capaz de nos mostrar toda a doçura de viver/morrer no mar, doçura de viver, doçura. E ele seguiu tranqüilo, com pouco mais de 100 canções em 94 anos de vida, chegando a levar anos na criação de uma, burilando um pouco num dia, descansando no outro, retornando depois de anos - é um bom tempo, dizia ele, é um bom tempo.
Caymmi foi o respeito pela vida, foi seu ritmo. Faleceu no Rio de Janeiro, em 16 de agosto de 2008.]
Texto: Susana Gigo Ayres,
Acompanhe o programa Instântanio e Sonoros do Brasil, levado ao ar em 29 de junho de 1940 pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro. A produção é do Almirante e narração de Celso Guimarães, em destaque as canções praieiras de Dorival Caymme. (Se o play não estiver visível acesse aqui para baixar esse áudio)
Confira a entrevista de Stella Caymmi, neta do compositor Dorival Caymmi, ao jornalista José Armando Vannucci da Rádio Jovem Pan. Dia após a morte de Dorival, ela falou sobre o avô, um homem que fez da arte um trabalho diário. Ouça!
 

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